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2009-11-02
Cotonete
O ar pelintra da capa, que mais parece um CD-R gravado com enlatados de uma Ibiza arraçada de Musgueira e vendido à saída do metro do Campo Grande, não faz ponta de justiça à música. O que salta aos ouvidos nesta edição é a forma quase preguiçosa com que as referências são baralhadas e deixadas calmamente a marinar. Nem de propósito, Lazy Bums é uma espreguiçadeira lenta e dengosa, que se arrasta por pouco mais de dois minutos. (Aliás, nenhuma das canções chega sequer aos três minutos.)
A despreocupação, que se percebe na audição mas não terá estado necessariamente na base da composição destas canções, dá um ar ainda mais exótico e garrido à coisa (a capa não será, por isso, assim tão despropositada). São temas curtos e rápidos, que se ouvem de um trago e que têm uma respiração de estância balnear com cavaquinhos.
Não estará ao alcance de todos brincar aos cowboys sem dar tiros nos pés nem comprometer tradições. Neste disco, os Paco Hunter parecem conseguir.
Hélder Gomes
2009-10-26
Mundo Universitário
A capa até pode ser feia, mas a música tem o seu encanto, aliás só de tempos a tempos cai na terra um disco assim. Interessante, melódico, confuso e mesmo divertido q.b. No.1 in Acapulco (...) vem recheado de plebeias e distorcidas emoções que bailam entre as sonoridades norte americanas dos Blues e Country e também dá um saltinho malandro às libadas sonoridades da América do sul. São vinte os motivos que nos prendem os ouvidos a um piercing auditivo, que fica bem usar no leitor lá de casa, na velha carrinha a gasóleo, no bar onde nos encontramos deslocados, casamentos e baptizados e até em funerais ciganos. No.1 in Acapulco não é um disco, No.1 in Acapulco é um Must!
Shampo Decapante
2009-10-14
Revista Focus
Paco Hunter formado pelos irmãos Pimenta, é alvo de atenção por via do álbum No. 1 in Acapulco. O registo tem o seu quê de original na forma despreocupada como aborda diferentes sonoridades americanas. Da country à bossa nova, das calientes referências latinas ao Mississipi profundo. Um périplo exótico e eclético que merece ser explorado, ultrapassada a compreensível relutância que a capa (propositadamente, acreditamos, de mau gosto) possa suscitar.
Carlos Correia
2009-10-09
Público: Ípsilon
Imaginário americano e ideia portuguesa em Nº1 In Acapulco, o óptimo álbum de estreia do projecto Paco Hunter dos irmãos Pimenta (Type, Zany Dislexic Band, PZ). Os irmãos Zé Nando Pimenta e PZ Pimenta não são ilustres desconhecidos. Têm estado por trás de algumas das aventuras mais singulares da música que vai sendo feita em Portugal no contexto da editora Meifumado. No. 1 in Acapulco é uma fantasia, ou mero ponto de partida, para ambos, na companhia de alguns cúmplices, desenharem um universo cálido e exótico com alusões à country, folk, jazz, funk, bossa ou rock, mas de forma distanciada, expondo doses semelhantes de autenticidade e ironia.
Há rotações instrumentais a velocidades variáveis, uma voz (PZ Pimenta) grave, um balanço físico narcótico e um clima caliente que se cola à pele.
Vitor Belanciano
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